quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

Esta águia voa alto


Arrisco-me a dizer, não em nome do entusiasmo que os últimos jogos trouxeram nem pelo deslumbramento que uma vantagem pontual em relação ao Porto (que infelizmente tem sido coisa rara desde que me considero um adepto do futebol) possa acarretar, mas sim, e não vejo forma pouco ousada de o dizer, pela qualidade do futebol praticado estar bem escarrapachada em qualquer estádio que jogue, seja contra quem for, qualquer que seja a competição. O vasto leque de futebolistas dotados de grande capacidade também ajuda, sendo possível alterar meia equipa e manter um rendimento deveras razoável. Há de tudo: Desde a experiência e sabedoria de Luisão, a garra e paixão de Maxi e Javi, a segurança de Artur, a classe de Aimar e Garay, a regularidade e eficiência de Witsel e Emerson, o repentismo de Nolito ou Gaitán, um matador como Cardozo e até jovens prodígios com pujança dos pés à cabeça como Rodrigo ou Nélson. E ainda sobram Eduardo, Capdevilla, Bruno César, Saviola, entre outros.
O Benfica 2011/2012 liderado por um carismático sábio do futebol já foi posto inúmeras vezes à prova, seja em campos difíceis como o Dragão, a Pedreira, Old Trafford ou Basileia e apenas saiu derrotado por uma única vez, num jogo menos conseguido (como de resto, houve outros) e com alguns ausentes contra uma equipa muito bem organizada que entretanto desfeiteamos por duas vezes. Já conseguiu inverter resultados desfavoráveis em várias ocasiões, demonstrando uma tremenda força anímica.
Tudo isto será infrutífero se em Março e Abril, a altura de todas as decisões, a equipa não conseguir manter o seu nível, mas que já deu razões para acreditarmos no melhor, lá isso deu.
É uma equipa mais consciente das suas capacidades do que há dois anos atrás, e com grandes possibilidades de almejar os quartos-de-final da Champions, a final da taça da Liga e o Campeonato. No entanto é essencial respeitar o Porto ao máximo, que com Lucho fortalece o meio campo e a união do grupo e pode ainda contar com um típico número 9 que valerá alguns golos, mas com todo o respeito, o Benfica continua mais forte, com mais soluções, um futebol mais vistoso, menos oscilante e sobretudo, com um treinador a anos luz de um canhestro Vitor Pereira. Tenho pena que não tenhamos um substituto à altura para a ala direita, porque Djaló não é um Sálvio ou um Enzo Pérez, porém temos que compreender que valores mais altos se levantam.

(Negativa é esta novela Enzo Pérez que parece não ter fim à vista. Está visto que este jogador não dá valor nem merece jogar de águia ao peito, no entanto não nos podemos dar ao luxo de desperdiçar 5 milhões em troca de problemas disciplinares e familiares. De lamentar é a situação do Ruben Amorim, que tem ambições legitimas e que infelizmente não foram devidamente resolvidas. Fundamental é que precedentes de ordem disciplinar não sejam criados em virtude de uma tolerância excessiva.)

Fico-me por aqui pois este assunto é a modos que muito vago e não pretendo continuar a embandeirar em arco porque daqui a umas semanas ou meses poderá crescer em mim uma vontade de fazer este texto desvanecer. Há sempre este risco mas se o deslumbramento não vier ao de cima e o Benfica mantiver esta sua faceta de estabilidade, irá satisfazer as suas pretensões!

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