domingo, 2 de dezembro de 2012

Ode aos avós


Avós, ó Avós!
Seja gravada e nunca retirada
Vossa imaculada sabedoria
Como Património Mundial

Eternizai a dádiva mais pura
Coisa boa que não dura
Que para a morte não há cura
Resta vestir roupa escura

Os maiores na nossa inocência
Milagreiros, Salvadores, Guardiões
Tudo com simples gestos
Os maiores na nossa existência




Por enquanto ainda me posso gabar de ter avós. Por enquanto..

domingo, 18 de novembro de 2012

Perfeiqualquercoisa

Já eu bem tinha avisado que esta arte de redigir permanentemente ilustrações do que se passa de minimamente interessante na cabeça de mais um corpo é de fácil desgaste e porventura escolha óbvia de item a colocar na prateleira. Se eu fosse eu fosse um verdadeiro perfeccionista, tal não sucederia, pelo menos, com esta naturalidade.
Eu não caio no ridículo de dizer que o meu maior defeito é ser perfeccionista, aliás, esta é apenas uma ligeira introdução ao tema do segundo defeito preferido da malta em geral. Acontece que eu sou um perfeccionista da pior espécie: aquele que está muito longe de o ser e vive perante aquela insaciável e inalcançável vontade de ser a melhor pessoa e de conhecer todos os campos do conhecimento sem passar por cima dos outros. Haja alguma condição que é satisfeita! A última. Ser perfeccionista exige muito pensar, frustração, sentimento de irritabilidade, desorganização e irreverência. Ser um deles pressupõe habilidade mais tácteis como memorização e reflexos a toda a prova. Parece pouco mas a diferença é abismal. Tanto que pode ficar comprovado através desta toda hermética e nada profícua dissertação.
O meu maior drama é o de querer saber um pouco de tudo e não me conseguir concentrar verdadeiramente em nada. Quando estou a ver um site com reviews de música estou a pensar nos mil e um que restam e que poderia estar a ver. Esta loucura é agudizada com o facto de estar a trabalhar e de as 2 ou 3 horas diárias que passo em frente ao frente saberem a nada. Perco-me em redes e sociais e em mais um par de sites e uma série ou filme. Que raio de perfeccionista sou eu? Nem na minha escrita isso nota, quanto mais no seu real conteúdo.
Em nota de rodapé, seria mais facilmente um deles se olhasse para a minha vida com uma perspectiva mais positiva uma vez que conseguia enumerar umas quantas verdades que fazem de mim um privilegiado e libertavam aquela tensão do inalcançável. Felizmente não sou um ignorante conformado e enquanto alguns seguem o coração, eu sigo a massa cinzenta que me mostra a realidade com tons dessa mesma cor.

sexta-feira, 30 de março de 2012

Olhos que vêem diferente

Neste fim-de-semana último finalmente aproveitei para fazer uma viagem que já estava há muito pensada. A Bélgica é o país que comporta mais amizades construídas a partir do programa de Intercâmbio que fiz em Macau e foi o único país que não visitei naquela região quando fiz o meu Interrail, dado que passei por França, Inglaterra, Holanda e Alemanha. Obra do destino ou não, tinha que completar aquele recanto da Europa.
É um privilégio ter gente querida à nossa espera com uma disponibilidade invulgar e que coloca todas as comodidades à nossa disposição durante a estadia, o que proporciona uma melhor experiência os locais conseguem fazer os outros olhar para a sua casa com diferentes olhos.
Foi também uma experiência que trouxe algo de novo por ser a minha primeira vez a visitar um lugar novo não apenas com esse propósito e sem uma mala às costas enquanto o tempo que passa a um ritmo alucinante não permite que se visite sem que haja correria.
Posso constatar sem reservas que os Belgas dominam a arte de bem receber, partindo sobretudo da sua cortesia e genuíno tradicionalismo, e um país do qual bem se podem orgulhar.
Estive hospedado na casa do Raffi, um grande amigo que reside em Waterloo, nobre localidade histórica eternizada pela batalha onde as tropas inglesas de Wellington destronaram as forças de Napoleão em 1815 situada nas proximidades de Bruxelas, para sul, e tive sorte, dizem eles melhor que ninguém, com os dias solarengos que me receberam em grande estilo. Correndo o risco de retirar qualquer vestígio de classe neste texto, se é que ele existe, este país é conhecido por alguns como o "Penico da Europa", sendo provável apanhar alguma ou muita chuva quando se visita a Bélgica mesmo em pleno Verão.
No dia em que cheguei, fui conhecer a escola secundária e a Universidade onde o Raffi estudou e trata-se de uma Cidade-Universidade, pois o campus aglomera apartamentos com minimercados, cinemas, bares, bibliotecas, salas de aula e por aí adiante. De seguida era tempo para a primeira refeição em terras de Audrey Hepburn e não hesitei em seguir a recomendação do Raffi, tendo escolhido brochette sauce fine champagne, um prato de carne com um delicioso molho de champagne.O dia seguinte prometia ser cansativo, não tendo ficado nada programado para depois. Dia esse que foi inteiramente passado na região flamenga da Bélgica. É quase como estar no estrangeiro, até para os meus amigos anfitriões, por serem da região Francesa. Fui com o Raffi e com a Charline, que também fala Flamenco e veio de Liége para me ver.
Visitámos Brugges, a cidade que mais ansiava visitar, Oostende e não sobrando tempo para ir a Antuérpia, terminámos o dia com um jantar em Gent. Domingo ficou reservado para, como não poderia deixar de ser, visitar Bruxelas. Muitas fotografias tiradas, locais históricos vistos, deu para matar saudades do Milkshake de Macau, vislumbrar umas quantas aberrações e para presenciar uma manifestação dos Sírios residentes na Bélgica em frente à Bolsa. No fim do dia houve um animado Barbecue na casa do Raffi mais dois amigos de Macau, o Cédric e a Charlotte. Já no dia da partida fiquei a conhecer um pouco mais de Waterloo que tem história para dar e vender e pormenores aparte, estava a chegar a hora de apanhar o avião de volta.
Foi sem dúvida um fim-de-semana e uns dias diferentes do habitual, deu para discutir e pensar em tudo numa perspectiva diferente.
Au revoir!

domingo, 11 de março de 2012

Konfuso

A mais recente causa que procura fazer do nosso planeta um local mais pacifico já é do conhecimento de qualquer pessoa que perca meia hora do seu dia em torno de um meio de comunicação.
Ninguém discute que um homem cuja ocupação é criar e expandir um exército de crianças do sexo masculino (sobrando para as restantes ser escravas sexuais) que não têm outro remédio senão lutar por ele se querem sobreviver por mais uns dias, semeando o terror num país já de si com uma realidade deprimente, merece que tudo o que de mal há no mundo lhe aconteça. Este triste exemplo de perversidade humana chama-se Joseph Kony e em 2012 toda a gente o quer ver brilhar, toda a gente o quer emprisionar, qual diamante negro.
Não obstante o sentimento mútuo de injustiça e violação dos mais básicos direitos humanos, entre quem observa esta situação de fora (e com isto refiro-me ao mundo ocidental) teve inicio um intenso debate sobre a mira desta causa. É compreensível e visível o impacto de um "share", de um "tweet" ou de um "like" e aqui aplica-se perfeitamente a expressão "to share is to care" mas não me parece que quem ficou informado acerca desta luta através desta campanha possa realmente fazer algo digno de registo. São compreensíveis as boas intenções de quem a espalha pois quer fazer algo de bom ao espalhar uma causa com o vilão bem claro.
No entanto nem tudo são rosas: a causa pressupõe uma intervenção dos Estados Unidos que teria de intensificar a colaboração com o exército Ugandês, conhecido também por diversas práticas ilícitas e violação dos direitos humanos Para além do mais é necessário muito cuidado quando se fala do motor de toda esta propaganda, os "Invisible Children", e no verdadeiro objectivo de tudo isto. Depois de arregaçar as mangas e ter uma pinça na mão, facilmente se encontram inconsistências e suspeitas de aproveitamento impróprio dos fundos da organização. Até uma influente jornalista local e um director de uma empresa naquele país afirmam categoricamente que esta "caça ao homem", a concretizar-se, não se traduziria num avanço significativo dos padrões de vida no Uganda. Continuando neste registo sustentado em rumores, diz-se que o homem não mete os pés no Uganda há 6 anos e muito curiosamente, ou talvez nem por isso, descobriu-se recentemente petróleo por essas bandas. Dá que pensar..

Remetemo-nos então para a velha questão: Em quem e no que acreditar? O vídeo está indiscutivelmente bem feito à boa moda de Hollywood mas existe cada vez mais gente que se opõe a estas acções impulsionadas pelas redes sociais, que ajudam a difundir problemas sociais, embora não devam ser constantemente sufocadas com este tipo de informação.

quinta-feira, 1 de março de 2012

Noite de Gala

Mesmo atravessando um momento onde a responsabilidade tem forçosamente que prevalecer à falta de obrigações, não tenho sido tão noctívago quanto esperaria. Obrigações daquelas que surgem por não termos total controlo sobre os nossos afazeres ou simplesmente as que estão lá sempre porque não vivemos do ar e existem coisas que ninguém faz por nós. Tal poderá advir do facto de passar alguns dias de seca a todos os níveis e querer que o amanhã chegue o mais rapidamente possível e se possível, que traga algo de novo. Estará também certamente relacionado com o facto de nesta casa ser considerado pecado acordar depois de certa hora e o meu metabolismo já estar habituado a essa realidade, ou até por descargo de consciência, para durante a manhã enviar um ou dois CV's.
No entanto, domingo último, com os Óscares da Academia e o NBA All-Star Game, expoentes máximos do poder Americano no que ao entretenimento diz respeito, foi impossível ir para a cama antes das 5h da manhã.
Comecei por assistir intermitentemente à Red Carpet dos Óscares arrastado pelo acérrimo entusiasmo da minha timeline do twitter não por apreciar moda, mas para perceber quantos rostos conhecia e apanhar qualquer rasgo fora do cliché. A verdade é que o momento mais insólito escapou-me, protagonizado pelo inevitável Sacha Baron Cohen, momento que apesar de tudo ficou-se pelo insólito.
Imediatamente a seguir era hora de começar o espectáculo circense da NBA. Teve início com um mini concerto da extravagante Nicki Minaj que em 15 minutos apareceu com 3 cores de cabelo distintas, e com o meu jogador de eleição, Dwight Howard, a ser o anfitrião (único jogador dos Orlando Magic no elenco, com o evento a realizar-se em Orlando) de uma noite que se esperava de arromba. Quando o jogo propriamente dito começou já os Óscares estavam também a começar, portanto fui alternando. Mas o jogo esteve sempre a pender para o lado do Oeste, durante mais de meio o jogo, e escusei-me a ver o final, julgando estar decidido. Para minha surpresa, houve uma tremenda recuperação final e Este quase triunfou! Outro momento perdido.
Surpreendentemente aguentei até ao The Artist ser galardoado com Óscar de melhor filme sem qualquer vestígio de sono e fiquei aliviado pelo Transformers ou pelo Tree of Life não ter arrecadado nenhum prémio. No entanto, foi extremamente previsível em quase tudo, com Hugo a dominar categorias mais técnicas, e com Meryl Streep a receber o terceiro entre 17 nomeações para melhor actriz. Deu para ficar triste pela Rooney Mara. Quanto ao Óscar de melhor actor, Jean Dujardin beneficiou do facto do seu filme ser o melhor e por vezes há dificuldade em dissociar o global do individual. Para mim, George Clooney em "Os Descendentes" esteve brilhante e conseguiu levar um filme com uma história aparentemente banal ao topo.

Criticas aparte, it was a hell of a night!

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

será que quem pede compreensão...é compreensivo?

Esta deixa pretende ser curta, concisa e frontal, ou se preferirem, sem entrar em rodeios que possam fazer com que a mensagem se perca.
Alguém compreende o porquê da existência de prazos tão curtos para alcançar metas transcendentes? É que para além de aumentar o risco de não serem alcançadas, estão a colocar milhares ou milhões de pessoas em situações à beira do insustentável por mero capricho. Capricho de receber os lucros uns meses ou uns anos antes. Há quem diga que é para garantir a recepção dos lucros, mas como já disse anteriormente, não sei se tornará os objectivos mais inalcançáveis.
E, obrigando o povo a consumir apenas o essencial a riqueza deixa de ser gerada e a economia estagna. Sou muito céptico em relação ao caso Grego e mesmo em relação ao nosso já não sei em que acreditar pois já li e reli rasgados elogios oriundos das mais influentes pessoas mas também já apanhei o nosso ministro das finanças a implorar aos Alemães e encontram-se facilmente artigos afirmando que o nosso rumo não é o correcto.
O que me entristece é que quem tem o poder está constantemente a sacrificar a sobrevivência de muitos para engordar mais um bocadinho a sua conta bancária. Parece que os Bancos querem duplicar as taxas de juro. Os Bancos que sempre apresentaram grandes lucros exceptuando apenas e só 2011 transmitem uma imagem de desespero que é tudo menos real. E assim, quer tenham tomado decisões responsáveis ou irresponsáveis, muitos mais ficarão apertados até ao pescoço.

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

Esta águia voa alto


Arrisco-me a dizer, não em nome do entusiasmo que os últimos jogos trouxeram nem pelo deslumbramento que uma vantagem pontual em relação ao Porto (que infelizmente tem sido coisa rara desde que me considero um adepto do futebol) possa acarretar, mas sim, e não vejo forma pouco ousada de o dizer, pela qualidade do futebol praticado estar bem escarrapachada em qualquer estádio que jogue, seja contra quem for, qualquer que seja a competição. O vasto leque de futebolistas dotados de grande capacidade também ajuda, sendo possível alterar meia equipa e manter um rendimento deveras razoável. Há de tudo: Desde a experiência e sabedoria de Luisão, a garra e paixão de Maxi e Javi, a segurança de Artur, a classe de Aimar e Garay, a regularidade e eficiência de Witsel e Emerson, o repentismo de Nolito ou Gaitán, um matador como Cardozo e até jovens prodígios com pujança dos pés à cabeça como Rodrigo ou Nélson. E ainda sobram Eduardo, Capdevilla, Bruno César, Saviola, entre outros.
O Benfica 2011/2012 liderado por um carismático sábio do futebol já foi posto inúmeras vezes à prova, seja em campos difíceis como o Dragão, a Pedreira, Old Trafford ou Basileia e apenas saiu derrotado por uma única vez, num jogo menos conseguido (como de resto, houve outros) e com alguns ausentes contra uma equipa muito bem organizada que entretanto desfeiteamos por duas vezes. Já conseguiu inverter resultados desfavoráveis em várias ocasiões, demonstrando uma tremenda força anímica.
Tudo isto será infrutífero se em Março e Abril, a altura de todas as decisões, a equipa não conseguir manter o seu nível, mas que já deu razões para acreditarmos no melhor, lá isso deu.
É uma equipa mais consciente das suas capacidades do que há dois anos atrás, e com grandes possibilidades de almejar os quartos-de-final da Champions, a final da taça da Liga e o Campeonato. No entanto é essencial respeitar o Porto ao máximo, que com Lucho fortalece o meio campo e a união do grupo e pode ainda contar com um típico número 9 que valerá alguns golos, mas com todo o respeito, o Benfica continua mais forte, com mais soluções, um futebol mais vistoso, menos oscilante e sobretudo, com um treinador a anos luz de um canhestro Vitor Pereira. Tenho pena que não tenhamos um substituto à altura para a ala direita, porque Djaló não é um Sálvio ou um Enzo Pérez, porém temos que compreender que valores mais altos se levantam.

(Negativa é esta novela Enzo Pérez que parece não ter fim à vista. Está visto que este jogador não dá valor nem merece jogar de águia ao peito, no entanto não nos podemos dar ao luxo de desperdiçar 5 milhões em troca de problemas disciplinares e familiares. De lamentar é a situação do Ruben Amorim, que tem ambições legitimas e que infelizmente não foram devidamente resolvidas. Fundamental é que precedentes de ordem disciplinar não sejam criados em virtude de uma tolerância excessiva.)

Fico-me por aqui pois este assunto é a modos que muito vago e não pretendo continuar a embandeirar em arco porque daqui a umas semanas ou meses poderá crescer em mim uma vontade de fazer este texto desvanecer. Há sempre este risco mas se o deslumbramento não vier ao de cima e o Benfica mantiver esta sua faceta de estabilidade, irá satisfazer as suas pretensões!

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

Não

O "Não" é uma palavra muito especial. É uma palavra evitada ao limite em algumas sociedades e chega a ser considerada como um acto de má educação entre os Indianos. 
Noutras, como a nossa, impomos demasiadas barreiras a nós mesmos com receio de confrontar o outro com a resposta que não quer ouvir e sermos olhados com ar inquisidor, ou por denotarmos falta de confiança nos argumentos sustentadores desse "Não".
Por outro lado, é usada demasiadas vezes por não termos coragem para dizer que sim, para arriscar e ir em frente. 
O "Não" é o melhor amigo do eufemismo. Quando queremos ser comedidos e não parecermos lunáticos sensacionalistas dizemos "a saúde de Portugal não anda muito famosa" em vez de proferir um "Portugal está à beira do abismo".
Torna-se essencial quando se tem uma criança metida ao barulho, não queremos que no futuro a pequena se torne numa mimada insuportável, o que aconteceria se por preguiça não disséssemos "não".
E depois há alturas em que tem que se aproveitar as escassas oportunidades que podem surgir, mas eu vou dizer não porque temos que tentar ir sempre além.

segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

país a prazo

Cada vez mais me convenço que o renascimento Português não passa de uma miragem. Que futuro pode um jovem esperar por estes dias, tanto a curto como a longo prazo? A não ser que seja um crónico herdeiro de uma qualquer cadeira de ouro, obviamente. Ou a um estudante de topo, que para além das suas capacidades intrínsecas, sabe o que quer e faz por isso. Tive a possibilidade de conviver com uns quantos deste último grupo restrito e sei dos caminhos que estão a seguir, o que me faz não ser idiota ao ponto de afirmar que as dificuldades são para todos.
É certo e sabido que a Licenciatura já não vale o que valia, mas o Mestrado não é garantia de reconhecimento.
O inegável é que não nos podemos conformar, mas não é fácil. Quem disse que a vida era difícil tinha razão. Atinge-nos a partir dos mais variados contextos e o grande desafio não é lutar pelo que queremos, é continuar a arranjar um pedacinho que seja de vontade para lutar e acreditar. Mas a vontade, ou falta dela, é a desculpa dos fracos, upssssssssss.
Como se isso não bastasse, o iminente colapso financeiro da Segurança Social é um problema de ontem. Anda uma pessoa a descontar durante a vida activa, se conseguir, e quando olha para lá do horizonte não tem garantias. Se não há dinheiro para atribuir subsídios a pessoas em situação de grave carência, há dinheiro para quê?

sábado, 28 de janeiro de 2012

Gates rima com donates


É inevitável e tão pouco irresistível efectuar uma comparação entre Bill Gates e Steve Jobs, expoentes máximos da era tecnológica que atravessamos. É ingrato focar apenas duas pessoas relativamente a uma realidade tão abrangente e desenvolvida como a globalização em si, dado que a correlação entre ambas é gigantesca, mas o contributo e a fama destes senhores é consensual e juntá-los também, pelas diversas discussões públicas que tiveram (onde Jobs aparentava ter qualquer repúdio infundado).
Bill Gates já foi criticado em nome da estratégia da Microsoft, da sua política de gastos ou mesmo por ser também um filantropista. Não vou dizer que o facto de Bill Gates ser um filantropo por si só me derrete o coração, muitos com o seu império fariam o mesmo, no entanto quando me confronto com certos factos (a serem verdade) noto que não é uma contribuição qualquer. A Gates Foundation angariou 26 biliões desde 1994 e tem como objectivo dispor de 95% da riqueza de Bill Gates. Reafirmo que sou céptico em relação a estes dados que podem muito bem advir de uma imprensa favorável ao magnata, mas nem que os valores ascendam a metade, já acho admirável. O avultado montante é dispendido sobretudo em educação nos Estados Unidos e em países do terceiro mundo.
A questão é que Jobs tem tido, em Portugal e não só, uma visibilidade desmedida (neste país morrer é bom para a popularidade, mas já anteriormente esta tendência era bem clara), quando a meu ver, Gates já fez muito mais pela Humanidade. Foi ele o pioneiro da informática e do mundo geração tecnológica, manteve sempre a Microsoft no topo das preferências e ajuda quem mais precisa, ao passo que Jobs criou uma marca de referência e que tornou a vida de quem possui os seus produtos, mais simples. No entanto, é uma plataforma fechada que não permite contacto com exterior e aproveita-se também de cidades chinesas pré fabricadas que vivem para produzir mais de metade da totalidade dos iPads produzidos. Jobs não deixa de ser uma mente brilhante.
Mas um tornou a vida mais simples, outro tornou a vida mais simples e melhor.

terça-feira, 24 de janeiro de 2012

o h3 um dia chegará ao Chinês

Ponto prévio: Por mais idênticas que possam parecer, as semelhanças entre esta publicação elogiosa a uma marca e o que pode ser visto como publicidade à mesma, são mera coincidência ou apenas entusiasmo por assistir a um projecto tão certeiro no nosso País.

Há coisa de 4 anos, quando fui pela primeira levado a comer com os meus amigos da Faculdade num h3 nas Amoreiras, achei aquele naco de carne e arroz thai sublimes. Até me lembro de nessa altura, depois de experimentar, chatear a minha mãe no sentido de a fazer comprar arroz thai para cozinhar em casa. Desde então, foi seguramente o restaurante que mais vezes frequentei em grandes superfícies, pelo menos.
O conceito é de louvar, uma pessoa quando come um daqueles menus não sente que está a comer fast food mas simultaneamente é tão mas tão delicioso e a imagem não fica nada atrás, sendo objecto de grande preocupação. É de salientar que mesmo sendo uma presença recente nas nossas vidas, já alguns espaços foram alterados ou remodelados, apresentando sempre como denominador comum o sentido prático e um atendimento com bastante frescura.

Todo este sucesso não é seguramente obra do acaso. A originalidade dos seus mentores está, e bem, entranhada na h3. É com originalidade que muitas vezes se ultrapassam obstáculos com a maior das distinções. Não é que apostaram num mecanismo que contorna o aumento do IVA? O IVA aumentou de 13% para 23%. Para abater o aumento de 10%, lançou o cartão "Tuga resiste" que oferece o décimo menu, equivalendo a um desconto de 10%.

Um último detalhe que me faz ser um adepto do h3: Tem orgulho em ser Português, os fornecedores são maioritariamente Tugas e essa filosofia está bem vincada quando após procederem a uma expansão além fronteiras mantiveram o menu Tuga e não criaram nenhum com uma designação local de modo a atrair freguesia.

Assim, um dia chegam à China.

quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

Van Howard

Duas das equipas pelas quais nutro uma valente estima de longa data estão em curva descendente, e ambas notoriamente dependentes de apenas um elemento, símbolo dos clubes. São eles Van Persie e Dwight Howard de Arsenal e Orlando Magic.
Salvaguardando as diferenças, desportos distintos e bla bla bla, as semelhanças são por demais evidentes e preocupam-me bastante visto que pode muito bem culminar no término (definitivo) de um ciclo a ser lembrado com grande nostalgia.

Falando verdade, o Arsenal já nem vem lutando por títulos de alguns anos a esta parte, embora, miraculosamente, consiga sempre criar uma falsa ilusão, por mais efémera que seja, de que a equipa segue no rumo certo. Esta travessia do deserto não pode mais ser atenuada pelo cliché da juventude da equipa. São necessários jogadores de qualidade indiscutível, sejam putos ou veteranos, brancos ou pretos, chineses ou marroquinos, e não eternas promessas que são capazes de atravessar jogos inteiros sem dar um ar da sua graça, como Walcott. Mas o problema é bem maior. A enormidade de jogadores relativamente bem cotados que chegaram ao clube cujo rendimento é confrangedor diz tudo: o que Chamakh mostrou é digno de um ponta de lança da liga orangina, Benayoun, já preterido de Liverpool ou Chelsea foi comprado numa loja de conveniência, o Rosicky e o Arshavin que mereceram um grande investimento parecem já não estar entre nós, e bem, por uma questão de educação não vou caricaturar Squillaci. E não é tudo! Um novo departamento médico também daria jeito, não vou enumerar os jogadores lesionados porque não ficaria bonito encher linhas com nomes de jogadores.
Tudo isto para dizer que respeito a decisão do Van Persie caso ele decida não renovar, pois para manter jogadores deste calibre há que existir uma estrutura feita para ganhar que não existe, uma vez que a sua ambição e o seu desempenho estão claramente acima dos do clube, tornando legitima esta opção, não podendo ser vista como um "abandonar do barco".
A meu ver é inexplicável a performance actual da equipa. Se há alguma coisa que Arsene Wenger tem, é experiência, e se há alguma coisa que ao Arsenal não falta, é dinheiro.
Aproveitando que estou com a mão na massa, tenho uma pena tremenda que a constelação dos primórdios do século não tenha ganho aquela final da Champions e que nem Henry nem Bergkamp tenham sido coroados com o título de melhor jogador do mundo. Talvez com esses impulsos teríamos hoje um outro Arsenal!

Por sua vez, a trajectória de Orlando tem sido mais suave. Num universo diferente, na NBA só se luta por uma competição, não sendo choque nenhum que a equipa nunca tenha levado os anéis para casa.
Há 3 anos, quando a equipa chegou à final das finais, Howard já era preponderante, embora não o que é hoje. Hoje em dia pode-se dizer ser unânime que Howard é o melhor poste da liga, com uma média de ressaltos a rondar os 20 e mais eficaz a nível de pontuação, e tem tido à sua volta jogadores intermitentes mas ainda assim dotados que continuam a permitir que Orlando se apure para os playoffs sem grandes percalços. Pode-se dizer que a equipa desta época prima pela juventude à excepção de Turkoglu que emana sabedoria e insiste em aparecer nos momentos decisivos quando Orlando mais precisa. A troca de Brandon Bass por Glenn Davis pode ter sido benéfica pelo menos a curto prazo, Bass ainda é um diamante em bruto, Jameer Nelson e J.J. Reddick até ver têm-se portado lindamente e Ryan Anderson finalmente afirma-se como um pontuador nato. Se a estes juntarmos um Jason Richardson em bom plano, é legitimo esperar muitas vitórias destes rapazes.
Mas Howard quer mais, e com os dream teams que actualmente dominam a liga, não chega para acalentar esperanças de algo mais. E como se isto não bastasse, os rumores de uma ida de Howard para os Lakers em troca por Bynum persistem. É obvio que os Lakers são uma equipa mítica e que luta sempre pelo anel, sendo este argumento mais que suficiente para também Howard se querer mudar. Bynum é também ele um excelente poste que esta época tem mostrado merecer a oportunidade, no entanto é preciso ter em conta que os seus problemas de peso podem sempre resultar em lesões graves, não dando as garantias de Howard.

Se o Arsenal apresenta mais problemas que Orlando, é também verdade que o peso de Van Persie, embora monstruoso, é inferior a Howard, o que não deixa de ser uma comparação injusto, fruto da disparidade entre os desportos. Se Howard sair, Orlando vai perder mais jogos do que ganha, não vai a play off. O Arsenal, perdendo Van Persie, terá que ter a humildade (tardia) para reorganizar a sua estrutura e prioridades.


domingo, 15 de janeiro de 2012

Lisboa, minha Lisboa

Por vezes, só por vezes, aterro acidentalmente em páginas que promovem actividades turísticas em Lisboa. Acabou de acontecer. E sendo eu um apaixonado pela minha cidade, constato com alguma consternação que há must's, fragmentos essenciais do corpo da menina e moça que ainda não tive o prazer de descobrir.
A última incursão cultural que fiz foi à Feira da Ladra e a próxima, que me suscitou particular interesse, será completar o percurso do eléctrico 28, que vai do Martim Moniz aos Prazeres, visitando pelo meio a Graça, a Sé, a Bica ou a Estrela. Como eu me considero um tipo objectivo e me socorro sempre que possível de factos, e fundamental salientar que o eléctrico 28 está entre as 1000 experiências de viagem mais importantes do mundo, segundo o Rough Guide to the World.
Tenho que convidar alguém amigo para testemunhar a solenidade do momento, aproveitar para capturar umas quantas preciosidades pelo caminho ao mesmo tempo que me reconcilio com a máquina que tem razões para se sentir desprezada ultimamente.

quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

macro crises

Confesso que colocar a palavra "crises" num título do quer que seja, e nos dias que correm, não entra no lote das minhas ideias mais criativas. Porém, é incontornável a sua intimidade com a minha área de jurisdição, que por sua vez é o core do tópico que pretendo abordar superficialmente. Só um aparte: Já vos disso que sou Licenciado em Economia pela NOVA? Acho que deviam estar a par do sentido de realização que este canudo constitui. E uma mescla de arrogância, vá, resultado de uma daquelas lavagens cerebrais que qualquer pessoa gosta de receber.
Há coisa de horas atrás, numa rede social, encontrei dois professores assistentes de práticas, que provavelmente vão agora a caminho de um Doutoramento numa Universidade estrangeira de renome, a abordar um tema que achei interessante, e com links há mistura (assim sim!).
 Não vou entrar nos meandros de uma discussão que originou uma rivalidade entre Economistas do mais alto gabarito por duas razões:
1ª - Sem ofensa, não seria de todo expectável que alguém de outra área compreendesse e longe de mim querer segmentar os meus leitores, que também não tem qualquer lógica.
2ª - (Até) para mim seria um desafio muito exigente explicar-vos o que acalenta esta discussão.

No entanto, o que se passa é que um conceituado Professor de Oxford criticou categoricamente num blog um sem número de "mestres" da área , afirmando que, inclusive detentores de Prémios Nobel, têm cometido erros elementares publicamente, embaraçando qualquer aluno de Economia. 
Para quem não sabe, a Economia pode ser dividida em dois grupos: Macro (perspectiva de um País) e Micro (perspectiva de uma Empresa). Neste caso, tratam-se de estudiosos Macro, e alegadamente por serem erros colossais, Macro it is.

Vou aproveitar uma passagem do senhor Wren-Lewis:
   I prefer to just note that if any undergraduate or graduate student in the UK wrote this in an exam, they would lose marks. The more interesting question for me is why the errors were made. Of course everyone is human, including the best economists. (And if they were not among the very best economists, I would not be talking about these errors in a blog.) You get to be a brilliant economist or physicist by having great ideas, not by never making mistakes. But I think it is still the case that we cannot imagine members of a physics department making such errors. What is different about macro?
 Microeconomia é uma ciência minimamente táctil, que dá para gerir diariamente, mas o mesmo não se sucede com a Macro, que é de certa forma uma espécie de alquimia que engloba as preferências e reações de milhões de pessoas, os conflitos de interesse que surgem a cada segundo e que estão permanentemente corrompidos por classes poderosas que não abdicam dos seus louros em nome do quer que seja. Claro que há Keynesianos e Neo Liberais, há teorias distintas, mil e uma variáveis que fazem parte do jogo, no fundo o que eu tive o prazer de estudar 4 anos ensinados por quem sabe, mas quando se trata de dinheiro, valores mais altos (ou mais baixos) se levantam. Mesmo que tal não acontecesse, a Economia nunca deixaria de ser uma ciência complexa onde mentes brilhantes discordam em pontos básicos.
Outra perspectiva mais relativista com a qual me tenho deparado é a de que a nossa sociedade sofrido mutações a um ritmo alucinante. Não há muito tempo era tudo a preto e branco, não haviam carros e ninguém sonhava com computadores. O ser humano é avesso à mudança, demora a adaptar-se, e com mais tempo, mantendo o actual paradigma, mais estabilidade virá.

terça-feira, 10 de janeiro de 2012

Uma segunda primeira vez

A verdade é que não tenho atravessado um período muito benéfico nos últimos tempos depois de um outro período incrível no qual atingi todos os objectivos a que me propus, e é impossível discernir o agora de uma quebra de parte dos meus relacionamentos interpessoais - é mais difícil do que parece encontrar pessoas que estejam dispostas a aturar-nos quando precisamos - conjugada com o facto de pela primeiríssima vez estar numa situação de indefinição quanto à minha vida. Por outras palavras, dúvidas quanto ao próximo passo a dar. Julgo ser um bom pretexto para praticar uma forma de comunicar à qual não tenho recorrido muito, - aliás, não tenho recorrido a nenhuma - escrever.

Como devem compreender, pelo menos inicialmente, procurar trabalhos ou mestrados não é tarefa que me faça sentir uma pessoa ocupada, (tenho também sugerido a mim mesmo opções diferentes como o TOEFL, aprender ou desenvolver uma língua, mas encontrei em mim razões credíveis para não as levar avante. Para a próxima semana juro que vou tentar afincadamente encontrar um voluntariado) tendo assim perdido algum tempo a visitar blogs. Se a essa actividade juntar a qualidade da escrita de pessoas que me são queridas, posso constatar que escrever bem é uma arte e eu não me vejo, nem de perto nem de longe, a dominar essa arte. Quero com isto dizer que não criei este blog para mostrar o quão bem escrevo (Já chega de rodriguinhos).

Um mundo de razões trouxe-me (e a todos nós) ao dia de hoje, desde a capacidade de adaptação a uma nova realidade onde já não sou um entre duzentos alunos que assiste a uma aula, presta a atenção que quer, e quando sai do Campus escolhe fazer o que bem lhe apetecer. Agora não. Vestir fato e gravata, postura forte e confiante e prontidão para atender clientes e enfrentar situações que nos possam ser inconvenientes. Não lidar diariamente com pessoas da nossa idade com os mesmos problemas, not anymore. Atenção, não me estou a queixar. Toda a gente mais tarde ou mais cedo chega a este ponto e muitas delas, em posições mais delicadas. Estou apenas a caracterizar a transição da menoridade para a responsabilidade, que acaba por exigir sempre de nós. Aproveito então uma passagem da Robin de How I Met Your Mother que num episódio de Dezembro de 2011 disse dar sempre algum conforto sabermos que temos a hipótese de fazer as coisas de maneira diferente, mesmo que não a aproveitemos, referindo-se na altura ao facto de não poder ter filhos. Julgo que se coaduna.
Um pouco de culpa própria também ajuda sempre a explicar as imperfeições nas nossas atitudes, e este é caso gritante no que a isso diz respeito: Com um contrato de trabalho com termo definido e sem possibilidade de renovação imediata, quem é que não começa a procurar uma alternativa antes desse mesmo termo apenas por estar em baixo e não "estar para isso"?
Para terminar, um toque de pieguice, mas não muita. Acho que encarei com demasiada naturalidade o falecimento dos meus avós que vi falecer. Talvez por um apresentar um discurso bastante negativo nos últimos tempos da sua vida apesar de ainda conseguir fazer a sua vida normal, talvez por ter acompanhado o perverso processo de degradação de saúde do outro. Embora desta vez não se trate de uma situação irreversível, pela primeira vez não estou a conseguir superar a perda de uma pessoa tão importante para mim. Parece birra de criança ao lado do que essa mesma pessoa estará a sentir agora, e sei que a minha realidade não é tão dura como esta composição aparenta.


domingo, 8 de janeiro de 2012

Vamos a ver se é para valer

Num passado com curvas sinuosas até então caí um ínfimo número de vezes na tentação de criar um blog, que depois de um ainda mais ínfimo número de publicações pseudo-intelectuais viu o seu cordão umbilical cortado sem misericórdia (mas que dramatismo desnecessário). Vamos ver quanto tempo este bicho dura e se vou tendo regularmente palavras de valor para escrever, não prometo nada. Apenas não quero ser repetitivo ao abordar vezes sem conta os mesmos temas, se tiver que ser será, no entanto se assim for será sinal de que o propósito não foi integralmente cumprido.
Esta nova prática da minha parte não foi previamente divulgada (estive a um passo de convidar meio mundo para brindar ao seu nascimento) nem terá tão pouco o intuito de crescer a nível de leitores, de ser alvo de críticas elogiosas por parte do meu círculo de amigos ou até de através deste espaço surgir alguma surpresa positiva. Esta última é para vocês pensarem. Calma lá, vocês quem?!
Agora questionam-se vocês, e com razão, por que motivo não escrevo ao invés num caderno pautado, se estou a escrever para mim? Vendo as coisas assim parece hipocrisia, e em minha defesa utilizo uma desculpa esfarrapada bem à portuguesa, alegando a crise como justificação.
Recorrendo à famosa expressão popular, já enchi chouriços que cheguem e não quero alongar-me correndo o risco de vos demover da leitura as minhas últimas linhas.