domingo, 11 de março de 2012

Konfuso

A mais recente causa que procura fazer do nosso planeta um local mais pacifico já é do conhecimento de qualquer pessoa que perca meia hora do seu dia em torno de um meio de comunicação.
Ninguém discute que um homem cuja ocupação é criar e expandir um exército de crianças do sexo masculino (sobrando para as restantes ser escravas sexuais) que não têm outro remédio senão lutar por ele se querem sobreviver por mais uns dias, semeando o terror num país já de si com uma realidade deprimente, merece que tudo o que de mal há no mundo lhe aconteça. Este triste exemplo de perversidade humana chama-se Joseph Kony e em 2012 toda a gente o quer ver brilhar, toda a gente o quer emprisionar, qual diamante negro.
Não obstante o sentimento mútuo de injustiça e violação dos mais básicos direitos humanos, entre quem observa esta situação de fora (e com isto refiro-me ao mundo ocidental) teve inicio um intenso debate sobre a mira desta causa. É compreensível e visível o impacto de um "share", de um "tweet" ou de um "like" e aqui aplica-se perfeitamente a expressão "to share is to care" mas não me parece que quem ficou informado acerca desta luta através desta campanha possa realmente fazer algo digno de registo. São compreensíveis as boas intenções de quem a espalha pois quer fazer algo de bom ao espalhar uma causa com o vilão bem claro.
No entanto nem tudo são rosas: a causa pressupõe uma intervenção dos Estados Unidos que teria de intensificar a colaboração com o exército Ugandês, conhecido também por diversas práticas ilícitas e violação dos direitos humanos Para além do mais é necessário muito cuidado quando se fala do motor de toda esta propaganda, os "Invisible Children", e no verdadeiro objectivo de tudo isto. Depois de arregaçar as mangas e ter uma pinça na mão, facilmente se encontram inconsistências e suspeitas de aproveitamento impróprio dos fundos da organização. Até uma influente jornalista local e um director de uma empresa naquele país afirmam categoricamente que esta "caça ao homem", a concretizar-se, não se traduziria num avanço significativo dos padrões de vida no Uganda. Continuando neste registo sustentado em rumores, diz-se que o homem não mete os pés no Uganda há 6 anos e muito curiosamente, ou talvez nem por isso, descobriu-se recentemente petróleo por essas bandas. Dá que pensar..

Remetemo-nos então para a velha questão: Em quem e no que acreditar? O vídeo está indiscutivelmente bem feito à boa moda de Hollywood mas existe cada vez mais gente que se opõe a estas acções impulsionadas pelas redes sociais, que ajudam a difundir problemas sociais, embora não devam ser constantemente sufocadas com este tipo de informação.

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