quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

macro crises

Confesso que colocar a palavra "crises" num título do quer que seja, e nos dias que correm, não entra no lote das minhas ideias mais criativas. Porém, é incontornável a sua intimidade com a minha área de jurisdição, que por sua vez é o core do tópico que pretendo abordar superficialmente. Só um aparte: Já vos disso que sou Licenciado em Economia pela NOVA? Acho que deviam estar a par do sentido de realização que este canudo constitui. E uma mescla de arrogância, vá, resultado de uma daquelas lavagens cerebrais que qualquer pessoa gosta de receber.
Há coisa de horas atrás, numa rede social, encontrei dois professores assistentes de práticas, que provavelmente vão agora a caminho de um Doutoramento numa Universidade estrangeira de renome, a abordar um tema que achei interessante, e com links há mistura (assim sim!).
 Não vou entrar nos meandros de uma discussão que originou uma rivalidade entre Economistas do mais alto gabarito por duas razões:
1ª - Sem ofensa, não seria de todo expectável que alguém de outra área compreendesse e longe de mim querer segmentar os meus leitores, que também não tem qualquer lógica.
2ª - (Até) para mim seria um desafio muito exigente explicar-vos o que acalenta esta discussão.

No entanto, o que se passa é que um conceituado Professor de Oxford criticou categoricamente num blog um sem número de "mestres" da área , afirmando que, inclusive detentores de Prémios Nobel, têm cometido erros elementares publicamente, embaraçando qualquer aluno de Economia. 
Para quem não sabe, a Economia pode ser dividida em dois grupos: Macro (perspectiva de um País) e Micro (perspectiva de uma Empresa). Neste caso, tratam-se de estudiosos Macro, e alegadamente por serem erros colossais, Macro it is.

Vou aproveitar uma passagem do senhor Wren-Lewis:
   I prefer to just note that if any undergraduate or graduate student in the UK wrote this in an exam, they would lose marks. The more interesting question for me is why the errors were made. Of course everyone is human, including the best economists. (And if they were not among the very best economists, I would not be talking about these errors in a blog.) You get to be a brilliant economist or physicist by having great ideas, not by never making mistakes. But I think it is still the case that we cannot imagine members of a physics department making such errors. What is different about macro?
 Microeconomia é uma ciência minimamente táctil, que dá para gerir diariamente, mas o mesmo não se sucede com a Macro, que é de certa forma uma espécie de alquimia que engloba as preferências e reações de milhões de pessoas, os conflitos de interesse que surgem a cada segundo e que estão permanentemente corrompidos por classes poderosas que não abdicam dos seus louros em nome do quer que seja. Claro que há Keynesianos e Neo Liberais, há teorias distintas, mil e uma variáveis que fazem parte do jogo, no fundo o que eu tive o prazer de estudar 4 anos ensinados por quem sabe, mas quando se trata de dinheiro, valores mais altos (ou mais baixos) se levantam. Mesmo que tal não acontecesse, a Economia nunca deixaria de ser uma ciência complexa onde mentes brilhantes discordam em pontos básicos.
Outra perspectiva mais relativista com a qual me tenho deparado é a de que a nossa sociedade sofrido mutações a um ritmo alucinante. Não há muito tempo era tudo a preto e branco, não haviam carros e ninguém sonhava com computadores. O ser humano é avesso à mudança, demora a adaptar-se, e com mais tempo, mantendo o actual paradigma, mais estabilidade virá.

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